Entenda como funcionam as solicitações de pesquisas em uma diocese italiana
Uma enorme pilha de papéis com e-mails impressos foi o que a funcionária da Diocesi di Bergamo me mostrou. Todos e-mails de brasileiros, argentinos e uruguaios solicitando pesquisa de registros de batismo e casamento de imigrantes italianos.
A Diocese criou um procedimento só para atender a estas solicitações que, na grande maioria dos casos, não especificam o comune de nascimento do italiano tornando a pesquisa contraproducente.
Só na província de Bergamo existem 243 comunes e em cada um deles, quase sempre, mais de duas igrejas. Só no comune de Bergamo existem mais de 15 paróquias! Imaginem a quantidade de tempo para se pesquisar nos livros de todas as paróquias da província de Bergamo. Sem contar que muitas vezes o requerente sequer sabe qual é o ano exato de nascimento do italiano.
É inviável! Por isso a Diocesi di Bergamo agora cobra pela pesquisa e só a faz se o requerente souber o comune de nascimento que é justamente a informação que a maioria dos descendentes de italianos procura.

Não só a Diocesi di Bergamo instituiu um procedimento específico para as pesquisas de imigrantes italianos mas outras também o fizeram, mais especificamente as da região do Veneto. Disponibilizam e-mails específicos para estes casos e cobram pela pesquisa.
Justo. Pesquisa genealógica dá trabalho. Requer tempo e atenção.
Mesmo pagando pela pesquisa, os resultados quase sempre são negativos justamente por não haver dados básicos para que a pesquisa seja feita com eficiência.
Nos documentos brasileiros, quando existe alguma citação da naturalidade do italiano, quase sempre se refere à província e não ao comune de nascimento.
Se você encontrar, em alguma certidão brasileira, a informação de que o italiano nasceu em alguma localidade que é o nome de uma província, pode ter quase certeza de que ele não nasceu no comune com o mesmo nome mas sim em algum comune pequeno da província citada.
Exemplos: Fulano nascido em Vicenza, nascido em Rovigo, nascido em Padova, nascido em Bergamo… São todos nomes de províncias que também são comunes.
Me causou desconforto quando a funcionária da Diocese me mostrou aquela pilha de papéis. Percebi a gravidade do cenário e me senti na obrigação de escrever aqui como os meios de pesquisa estão funcionando na Itália.
Cabe uma orientação: não é correto disparar e-mails para todos os comunes, igrejas e dioceses da província de nascimento do antenato italiano. Esta não é uma forma adequada de se fazer uma pesquisa genealógica. Isso sobrecarrega o trabalho dos funcionários que muitas vezes nem tem a obrigação de fazer pesquisas, como é o caso dos comunes.
Sem falar que, pela quantidade de pedidos, a grande maioria fica sem resposta prejudicando quem realmente tem as informações básicas para que seja solicitada uma pesquisa.
Antes de focar a pesquisa na Itália, deve-se investigar informações em todos os documentos familiares que estiverem ao alcance. Quanto mais informações conseguir a respeito da origem do antepassado italiano, mais eficiente será a pesquisa deste documento na Itália.
Ouvir relatos dos familiares também é essencial. Eles revelam pistas importantíssimas que são essenciais para desenvolver um bom trabalho de pesquisa.
Neste link dou dicas de como efetuar uma pesquisa genealógica.


Por Bárbara Ferreira
Genealogista do Diário